Um robô é mergulhado no árido leito marinho da Antártida em busca de um navio lendário e descobre algo inesperado

Todos ficaram atónitos com a descoberta. No gelado mar de Weddell, um dos lugares mais hostis e remotos do planeta, um grupo de cientistas esperava encontrar história, mas acabou descobrindo vida. Numa missão destinada a localizar os restos do Endurance, o mítico navio da expedição de Ernest Shackleton, um robô submarino encontrou algo completamente inesperado: um vasto campo com mais de mil ninhos de peixes nas profundezas antárticas.

A área explorada, na costa ocidental da Antártida, permanece coberta por gelo quase todo o ano. Até recentemente, um enorme iceberg impedia o acesso à área. Mas quando o gelo se deslocou, os investigadores aproveitaram a oportunidade e enviaram para o fundo do mar o veículo telecomandado Lassie, projetado para resistir a temperaturas próximas do ponto de congelamento.

A descoberta ocorreu durante a Expedição ao Mar de Weddell, na qual cientistas internacionais procuravam pistas sobre o destino do Endurance, naufragado em 1915 durante uma das mais célebres epopeias da exploração polar. As condições adversas forçaram o adiamento da busca pelo navio, mas o desvio revelou algo igualmente extraordinário: um ecossistema até então desconhecido sob o gelo.

As imagens captadas por Lassie mostraram uma paisagem surpreendente: milhares de ninhos perfeitamente distribuídos em padrões regulares sobre o leito marinho. Cada um pertencia à espécie Lindbergichthys nudifrons, um pequeno peixe antártico que constrói e defende os seus ninhos com um comportamento cooperativo invulgar para os peixes. Os cientistas observaram que os exemplares mais fortes ocupavam os ninhos situados nas margens da área, enquanto os do centro beneficiavam da proteção coletiva do grupo. Esta estrutura, explicam, sugere um sistema social avançado e uma estratégia de defesa comunitária contra predadores.

A descoberta transformou a visão dos investigadores sobre a vida num dos ambientes mais áridos do planeta. «Isso demonstra que mesmo nas profundezas mais frias e escuras pode existir uma organização ecológica complexa», afirmaram os autores do estudo, publicado na revista Marine Science. A descoberta também reforça a urgência de declarar o Mar de Weddell como área marinha protegida, dada a sua singularidade biológica e vulnerabilidade às alterações climáticas. O que começou como uma busca arqueológica acabou por revelar um ecossistema vivo que, como o Endurance, resistiu ao gelo e ao tempo.

Silvia/ author of the article

O meu nome é Silvia. Escrevo artigos que o ajudarão na sua vida quotidiana. Eles ampliarão os seus conhecimentos e pouparão o seu tempo.

silvescomercial