Este ano foi um ponto de viragem para a entrada de algumas das empresas mais importantes do sistema financeiro no mercado das criptomoedas. No futuro, as empresas do setor esperam que esta aliança se aprofunde ainda mais. O Bitcoin ultrapassou os 103 000 dólares e procura reverter a sua dinâmica descendente: as altcoins subiram 20 % Criptomoedas: O J.P. Morgan prevê que o bitcoin atingirá US$ 170.000, apesar da recente queda A «aliança» entre os mercados de criptomoedas e financeiros se fortaleceu em 2025.
Embora o bitcoin, a primeira criptomoeda de todas, tenha surgido como uma alternativa ao sistema financeiro após a crise de 2008, nos últimos anos o mercado de criptomoedas tem-se aproximado cada vez mais da banca tradicional. Este ano, com a introdução de uma série de importantes regulamentos nos EUA, esta aliança parece ter-se consolidado definitivamente. Em conversa com o Ámbito, o diretor-geral da Binance para o Cone Sul, Andrés Ondarra, considera que 2025 «foi o momento em que muitos reguladores do mundo financeiro tradicional perceberam que as criptomoedas têm uma vantagem, uma característica positiva».
Nesse sentido, ele destacou que «este foi um ano em que tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos houve muitos avanços na área de regulamentação», entre os quais ele mencionou a Lei Genius e a Lei Clarity. «Isso será o catalisador do crescimento que esperamos nos próximos anos», afirmou o executivo, que acredita que a indústria das criptomoedas «está numa curva de crescimento exponencial, muito semelhante a outras tecnologias». Para o próximo ano, ele previu que «haverá cada vez mais casos em que essa interação entre o mundo financeiro tradicional e o mundo das criptomoedas começará a levar ao surgimento de produtos mais híbridos, como a tokenização de ativos». E acrescentou que «eles são participantes necessários para o desenvolvimento do setor».

Tendências futuras
Ele não foi o único participante da LABITCONF que concordou com esse diagnóstico. Johan Hernandez, diretor de ativos digitais do Tower Bank — o primeiro banco da América Latina a aceitar criptomoedas — acredita que, além da tokenização de ativos, outra tendência para o próximo ano serão os empréstimos garantidos por criptomoedas. «A próxima tendência que começa a surgir é como começar a usar com segurança ativos como bitcoin ou ether como garantia», explicou ele em entrevista.
Ele afirmou que «quem possui bitcoins não quer vendê-las», mas que «nas finanças tradicionais, as criptomoedas atingiram um nível de maturidade tal que quem possui uma grande quantidade de bitcoins já pode utilizá-las para atrair esse ativo». Ele afirmou que este instrumento permite «dar-lhes a oportunidade de usar os seus bitcoins como reserva de valor e obter liquidez com este ativo, sem o vender».
Criptomoedas com inteligência artificial?
Uma das notícias do dia foi que a Paystand, a rede líder mundial de pagamentos B2B baseada em blockchain, adquiriu a Bitwage, uma das plataformas mais importantes para pagamentos com criptomoedas a nível global. Em conversa com a Ámbito, os diretores executivos de ambas as empresas, Jeremy Almond (Paystand) e Jonathan Chester (Bitwage), não só destacaram que as stablecoins «passaram de uma curiosidade das criptomoedas para um meio de pagamento regulamentado», como também previram o que, na sua opinião, será o futuro das finanças criptográficas: o uso da inteligência artificial.
«Está a ser feito um grande trabalho para tornar a IA determinística, em vez de probabilística, o que é fundamental para as finanças», disse Chester, enquanto Almond afirmou que «atualmente, o dinheiro não se move de forma autónoma». E acrescentou: «Com as finanças autónomas, os pagamentos poderão ser efetuados sem esperar pela abertura do banco na segunda-feira; eles poderão ocorrer imediatamente. Além disso, será possível escolher em que moeda e em que condições isso será feito».
Integração das finanças e das criptomoedas na Argentina
No painel «Criptomoedas e sistema bancário tradicional: oportunidades e riscos», vários representantes do setor bancário tradicional e do ecossistema das criptomoedas partilharam as suas experiências. Por exemplo, Luis Leiva, do Banco Industrial (BIND), observou que eles veem «algumas oportunidades» no mercado de criptomoedas, embora «ainda não possam ter acesso a ele». «O BIND poderá ter essa oportunidade no futuro, quando a regulamentação permitir», afirmou.

Na mesma linha, o fundador da Lirium AG, Martin Kopac, destacou que «à medida que a regulamentação avança, os bancos tradicionais se sentem mais confortáveis para implementar essa novidade». Por sua vez, Marcos Schäfer, da Ripio, garantiu que estão a receber «cada vez mais pedidos de empresas, principalmente de bancos, que demonstram interesse nas criptomoedas não como investimento, mas como oportunidade de inovação em produtos». Ele afirmou que a Ripio «está focada em transformar a sua plataforma numa ponte entre o mercado tradicional e o mercado de criptomoedas». E acrescentou: «Nós tokenizámos o título AL30, e isso mostra como as fronteiras entre o banco de investimento tradicional e o mercado de criptomoedas estão a começar a desaparecer».
Vozes dissidentes
Paralelamente, durante a LABITCONF, também se manifestou uma divisão com os «maximalistas» da Bitcoin, conhecidos na gíria como bitcoiners. Um deles foi Mikael Margiotta, da Bull Bitcoin, que questionou qualquer outra criptomoeda que não fosse a Bitcoin, especialmente as stablecoins. «Estamos tão acostumados com o dólar que temos a chave para a salvação, mas ainda assim escolhemos o pão, ou seja, as stablecoins. Elas são a pior versão do dólar, a terceira camada da moeda, que está à beira do colapso», afirmou.
Ele afirmou que «o bitcoin é para o dólar o que o dólar é para o peso» e que «a volatilidade (da principal criptomoeda) é o preço da liberdade». Em conversa com o Ámbito, ele argumentou: «Para os argentinos, quanto mais volátil é o bitcoin em comparação com a taxa de câmbio, que oscila entre 1000 e 1500 dólares? Se você quer a ilusão de estabilidade do dólar, você tem garantida uma desvalorização constante». E concluiu: «A Bitcoin acabará com o privilégio dos EUA de imprimir dólares, enquanto outros países — como a Argentina — precisam produzir toneladas de grãos e carne para obter a moeda que outro país pode criar sem limites, simplesmente pressionando um botão».
