A febre pelas energias renováveis está a aumentar. Além disso, todos os dias surgem novos dispositivos com designs cada vez mais inovadores para aproveitar a energia adormecida da luz solar, do vento ou das ondas do mar, entre outros. Cientistas e engenheiros têm deixado todos de boca aberta com esses avanços. No entanto, esses desenvolvimentos não ocorrem em todas as regiões da mesma forma. Desta vez, é a vez de um canto remoto de África. Eles mudarão a maneira de cozinhar, mas não apenas lá.
Uma cozinha limpa
Ao sul do deserto do Saara, localiza-se a região do continente conhecida como África Subsaariana, formada por 46 países. De acordo com os registos, a maior parte das comunidades rurais desta zona não tem acesso à rede elétrica e, para cozinhar, depende da biomassa. Este material é de origem vegetal ou animal, podendo ser à base de lenha, estrume ou resíduos agrícolas. Embora seja considerado um combustível de fonte renovável, não é a melhor opção.
Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde já deu o alarme com números preocupantes. Eles afirmam que a poluição do ar em ambientes fechados, produzida em grande parte por esses fogões, chegou a causar cerca de 500 000 mortes prematuras por ano somente na África. Especialistas apontam que o uso de biomassa pode contribuir indiretamente para o desmatamento e libera milhões de partículas finas poluentes.
Mas uma invenção promete deixar isso para trás, de uma vez por todas. Uma equipa de investigadores da Universidade de Loughborough conseguiu dar o ponto final. Desenvolveu um projeto impressionante pensado especialmente para melhorar a qualidade de vida das comunidades africanas localizadas nas zonas mais remotas. Uma cozinha limpa, livre de contaminantes, já não será impossível.

Uma solução perfeita
O impacto social e ambiental desta solução pode ser gigantesco na região. Mas também pode ser replicado em qualquer lugar onde seja necessário. Trata-se de outro sistema único de baterias com uma incrível capacidade de produzir tanto eletricidade como hidrogénio. Devido à sua enorme versatilidade, pode oferecer desde energia limpa para cozinhar, iluminação básica, refrigeração para vacinas até energia elétrica de reserva para clínicas rurais.
Mas como funciona? O sistema é conhecido como eletrolisador de baterias e pode fazer muito mais do que armazenar energia. O eletrolisador pode conter a energia elétrica produzida por painéis solares e, ao mesmo tempo, separar a água que se encontra no eletrólito em hidrogénio e oxigénio através de um processo de eletrólise. Desta forma, a água é transformada em hidrogénio e oxigénio.
O hidrogénio verde produzido pode ser aproveitado de várias formas, mas, neste caso, principalmente para cozinhar de forma renovável e ecológica. Trata-se de uma alternativa ecológica cujo único resíduo é a água. Além disso, não só é respeitadora do ambiente e da saúde das pessoas, como também oferece uma solução ideal para as diferentes dificuldades energéticas que este tipo de populações enfrenta.

Rumo a uma transição energética justa
O primeiro teste piloto será realizado numa escola na Zâmbia. Conforme previsto, o hidrogénio será destinado a alimentar as cozinhas, enquanto as baterias funcionarão fornecendo eletricidade tanto às salas de aula como às casas dos professores. O teste permitirá avaliar, num ambiente específico, o impacto social, educativo e ambiental. Este avanço representa mais um passo estratégico, entre muitos outros, que aponta para uma transição energética justa. Começar a reduzir a lacuna energética é fundamental, tendo em conta que, em África, esta afeta mais de 600 milhões de pessoas, de acordo com os registos da Agência Internacional de Energia (AIE).
